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30 Anos, 3 Anas

Peça Trinta Anos, Três Anas estréia no Teatro do Ator
Dirigida por Einat Falbel, a Cia Teatro do Céu encena as reflexões de uma mulher no dia de seu aniversário de 30 anos 
 

RELEASE BÁSICO: 

O espetáculo teatral Trinta Anos, Três Anas, dirigido por Einat Falbel, estréia dia 25 de agosto às 19h no Teatro do Ator. A dramaturgia é de Re Torres, que integra o elenco juntamente com Bibi Piragibe, Marcelo Dabanian e Rafael Piccin.

A montagem acompanha Ana no dia em que ela completa 30 anos de idade. A protagonista é apresentada sob quatro óticas, cada uma interpretada por um ator: o Eu real, o seu lado feminino, o seu lado masculino e as suas lembranças. A pesquisa do grupo está, portanto, em levar ao palco não apenas o que a personagem vive – mas, principalmente, o que pensa, sente e sonha. Ana se mostra como através de um caleidoscópio que, dependendo do ângulo pelo qual é observado, ilumina diferentes facetas do íntimo de seu pensamento, sua complexidade, suas contradições.

O texto é essencialmente feminino e retrata, de forma bem humorada, a busca de uma herdeira do feminismo na corda bamba da vida moderna. Desnuda-se, em cena, a pressão que a sociedade exerce sobre a mulher de hoje, cobrando não apenas conquistas nos campos amoroso, familiar e profissional, mas também excelência nessas conquistas: uma vida “quase perfeita”.
  A se equilibrar entre o pragmatismo de sua consciência masculina e o romantismo de sua consciência feminina, Ana rememora sua história, seus amores, sua carreira e suas relações familiares, em um balanço de vida que serve de base para o início de uma nova fase, pós-30, pós-ilusões.

A cenografia assinado por Zé Henrique de Paula e Fábio Jerônimo
e a trilha original composta por Xavier Bartaburu sublinham esse universo feminino. O primeiro, na forma de uma enorme bolsa de mulher; o segundo, através das composições baseadas na valsa da Bela Adormecida, de Tchaikovsky, clássico do imaginário romântico das mulheres da faixa etária retratada.

GANCHO FEMININO:

Ser linda, ter a unha sempre feita, a depilação em dia, malhar na academia e ainda gostar, não perder as pré-estréias de filmes e peças, freqüentar os restaurantes da moda e pagar fortunas em saladas e franguinho grelhado, estar por dentro das fofocas, ter opiniões a respeito de tudo um pouco – mas, sobre sexo, saber tudo, e muito. Abrir sozinha os potes de palmito. Ter uma carreira meteórica, ser o orgulho do papai, dedicar-se às tarefas do lar, ser o orgulho da mamãe, não ter vícios, mas saber se divertir e, é claro, encontrar o homem ideal, com potencial para marido e bom material genético, que deverá receber atenção incondicional e irrestrita.

Quase sufocada pelo excesso de cobranças, velocidade e informações da atualidade, nossa heroína tenta se libertar da obrigação de ser a super-mulher. Ou, como diriam os teóricos da sociedade moderna, uma overachiever – aquela que tudo conquista. Ah, mas não é assim tão fácil… antes é preciso tomar consciência das próprias obsessões: os dois quilinhos a mais, os desejos furiosos por chocolate, a eterna referência da Bela Adormecida ou, melhor dizendo, do Príncipe Encantado. Não se pode negar: aos 30, a obsessão das obsessões é o sonho romântico – ou nem tanto – do casamento.

E então, em uma seqüência de lembranças, desfilam os homens de sua vida, as boas e péssimas histórias do cara de vinte, do homem de quarenta, do primeiro beijo, do carinha da noite anterior e, é claro, daquele grande amor mal resolvido. As insuportáveis discussões de relação, a eterna dúvida em ir ou não para a cama no primeiro encontro: estão todas na vida de Ana, como na de tantas mulheres como ela. Balzaquianas sim – há algo de mal nisso?

GANCHO ASTROLOGIA:

Na busca por auto-conhecimento, Ana procura respostas não apenas dentro de si, mas na terapia, nos livros de auto-ajuda, na meditação… e nos astros. E encontra, no Retorno de Saturno, a perfeita definição da fase em que está vivendo: “é próximo aos 30 anos que Saturno dá uma volta completa no Sol e retorna ao mesmo local em que estava no momento do nascimento da pessoa. Isso implica em fechar todo o passado de dependência familiar; a pessoa começa então a se preparar para inverter papéis. É o primeiro contato com a sensação de que o tempo passa e de que a velhice não tarda a chegar, por isso a intensificação de cobranças internas. Tempo de definições”. Também o conceito da Alma Gêmea perpassa a história, mesclado ao ideário romântico do Príncipe Encantado. Chegando aos 30, Ana tenta descobrir quanto há de real e de ilusório na idéia de dois seres terem sido feitos um para o outro, para todo o sempre…E, como não poderia deixar de ser em uma peça de temática feminina, a clássica Sinastria Amorosa também está retratada ali. Afinal, “mulher que não pergunta o signo pro homem é até estranho”.


GANCHO PSICOLOGIA:


Em cena, conceitos da psicologia analítica de Carl Gustav Jung ganham corpo. Usando a licença poética, a peça pega emprestada a Anima – lado feminino do homem – e o Animus – lado masculino da mulher – e os adapta para que representem os dois lados da mesma mulher: sua consciência masculina e sua consciência feminina.

Desse modo, essas duas vozes quase sempre discordantes passam a refletir também o acúmulo das funções feminina e masculina na vida da mulher pós-feminismo. É de Anima a consciência doce e fantasiosa, ligada às crenças da mãe, da avó, das tias; a imagem das brincadeiras de boneca e casinha, o romantismo, a suavidade. Animus simboliza a praticidade, o pragmatismo. Carrega a consciência forjada depois de anos de vivência entre os sofrimentos do amor e as frustrações do trabalho. É o pé no chão, o batalhador. E o lado bem pouco imaginativo. 

Em Ana, as duas facetas vivem, combatem e, acabam por descobrir, se completam. É como no conceito de Yin e Yang, as duas forças complementares que são os princípios básicos do universo segundo a Medicina Tradicional Chinesa. O Yin, princípio passivo, feminino, pertence a Anima, à mente intuitiva e complexa; o Yang, ativo, masculino, vem de Animus, do intelecto racional e claro.É através desse jogo que o espetáculo consegue trazer à discussão o fato de que o dia-a-dia não se resume à mera execução de tarefas: em tudo que se faz externamente, há uma repercussão interna. Essas tarefas executadas são constantemente observadas e analisadas pelo nosso inconsciente, a trabalhar silencioso. Ou, às vezes, nem tão silencioso assim…
GANCHO PESQUISA TEATRAL:

Nascida do encontro entre jovens atores, a Cia Teatro do Céu propõe, na primeira peça que coloca em cartaz, a discussão de um tema bastante atual na intenção de suscitar debate e despertar de consciência. Não foi necessário buscar no exterior ou no passado uma história para contar, pois surgiu do grupo a urgência de tratar de um tema próximo, relevante, sempre presente nas mesas de bar, nas conversas telefônicas entre as mulheres, no divã do analista.  E nessa pesquisa por dentro da alma feminina, a Cia optou por dois atores e duas atrizes para contar a história dessa única mulher que, sozinha em casa, analisa seus 30 anos de vida. Ana, Animus e Anima compõem a personagem-título, que resgata da memória os Homens de sua vida – lembranças que retornam sempre interpretadas pelo mesmo ator, a se desdobrar entre o pai, os namorados, o ginecologista… A direção de Einat Falbel delineia as constantes quebras e fusões entre ontem e hoje, aqui e lá, ação e pensamento, real e imaginário. Essa não-linearidade perpassa toda a história, o que confere agilidade ao espetáculo. Na linguagem não-naturalista, o simbólico ganha força, com referências que retornam a todo tempo. 

O texto foi costurado sobre roteiro original de Re Torres, que assina também o texto final – gerado em processo colaborativo, a cada ensaio ele foi transformado por meio de um recorte, uma frase a mais, uma nova cena improvisada e depois incorporada, de modo que no resultado ressoa a voz de cada um dos envolvidos na criação.

GANCHO PRAÇA ROOSEVELT:
Com a primeira temporada em cartaz no Teatro do Ator (ex-Cine Bijou), Trinta Anos, Três Anas se insere em um dos mais importantes movimentos culturais da cidade de São Paulo: a criação teatral concentrada na praça Franklin Roosevelt, ao lado da Igreja da Consolação.Antigo ponto degradado e dominado pelo tráfico, o espaço que hoje atrai público todos os dias da semana começou a se reerguer com a chegada do grupo teatral Os Satyros, hoje com dois teatros que, juntamente com o Teatro do Ator, o Espaço Parlapatões e o Studio 184, consolidou a Roosevelt como referência em pesquisa de novas estéticas teatrais.É uma grata surpresa para os paulistanos acostumados à antiga má fama da praça encontrar ali o agito que se divide entre as cadeiras dos teatros, dos bares e restaurantes, principalmente aos finais de semana. De olhos atentos, não é nada difícil encontrar, entre as mesas espalhadas pela calçada, personalidades como Gero Camilo ou Jô Soares, consumindo tanto cultura quanto cerveja por um preço camarada.


SERVIÇO:


Duração: 50 minutos.
Recomendação: 12 anos.
Ingressos: a R$20,00 e R$10,00 (Estudantes, professores, maiores de 60 anos e classe teatral).
Sábados, às 19h.
Estréia 25 de agosto
Teatro do Ator – Praça Franklin Roosevelt, 172, Consolação, tel: 3257-2264.
Metrô República.
Capacidade 113 lugares.
Bilheteria funciona de terça a domingo, a partir das 15 horas.
Acesso para deficientes.
Ar condicionado.
Estacionamento conveniado a R$6,00.

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